Non Destructive Method Theory - Basic Principles - https://www.tinker.af.mil/Portals/106/Documents/Technical%20Orders/AFD-101516-33B-1-1.pdf AF338-1-1-EC-CP4Sc0-Indice ROCarneval

NONDESTRUCTIVE TESTING HANDBOOK - Electromagnetic Testing
Manual de Ensaio Não Destrutivo - Ensaio Eletromagnético

  1. Parte 1. Introdução aos Princípios dos Ensaios Eletromagnéticos
  2. Parte 2. Ensaio de Campo Magnético de Fuga
    1. Descontinuidades Subsuperficiais
    2. Grau de Magnetização Inicial
  3. Parte 3. Ensaio de Correntes Parasitas
    1. Condutividade Elétrica e Resistividade
    2. Impedância
  4. Parte 4. Ensaio de Microondas
    1. Radiação de Microondas
    2. Aproximação Experimental Básica


1 INTRODUÇÃO AOS PRINCÍPIOS DOS ENSAIOS ELETROMAGNÉTICOS
O ensaio eletromagnético, um método de ensaio não destrutivo, assim como outros métodos de ensaio não destrutivos, envolve a aplicação de energia eletromagnética para avaliar a condição de objetos ensaiados. A energia interage com o material e um instantâneo do processo de interação é analisado para determinar a condição do material. Embora os métodos eletromagnéticos, em princípio, abranjam uma ampla gama de técnicas, o termo ensaio eletromagnético é geralmente usado para denotar diversas técnicas, incluindo ensaio de fuga de fluxo magnético, ensaio de correntes parasitas e ensaio por micro-ondas. Métodos de radiação, como ensaio por infravermelho, ensaio térmico e ensaio radiográfico, muitas vezes não são considerados métodos eletromagnéticos, embora sejam regidos pelas mesmas leis físicas.
Embora todos os métodos eletromagnéticos sejam regidos pelas equações de Maxwell, a natureza distintiva de cada método decorre das diferenças nas frequências de excitação, na natureza dos transdutores utilizados e nas técnicas de análise de sinal para caracterizar o estado do objeto ensaiado. Por exemplo, as técnicas de fuga de fluxo magnético normalmente utilizam frequências de excitação próximas de 0 Hz, enquanto as técnicas de correntes parasitas utilizam frequências de excitação de cerca de 100 Hz a cerca de 10 MHz. Os ensaios por micro-ondas utilizam fontes de excitação geralmente acima de 100 MHz.
À medida que a frequência de excitação aumenta a partir de zero, o processo físico subjacente muda gradualmente. Abaixo de cerca de 10 MHz, o campo é considerado quase estático, o que significa que o  deslocamento da corrente  é desprezível. Conforme a frequência finalmente aumenta além dos valores quase estáticos, a energia se propaga na forma de ondas no material ensaiado. As diferenças nos processos subjacentes associados a cada frequência permitem que as técnicas eletromagnéticas testem uma ampla gama de materiais.
Os princípios subjacentes às três técnicas correspondem às três faixas de frequência discutidas a seguir:
  • (1) ensaio de fuga de fluxo magnético (baixa frequência),
  • (2) ensaio de correntes parasitas (frequência média), e
  • (3) ensaio de micro-ondas (alta frequência).

2. ENSAIO DE CAMPO MANGÉTICO DE FUGA
O ensaio de fuga de fluxo magnético é amplamente utilizado na indústria para ensaiar peças e componentes ferromagnéticos. A técnica de fuga de fluxo magnético envolve a magnetização do objeto ensaido por um ímã permanente ou pela passagem de uma corrente de excitação diretamente através de um eletroímã. A presença de uma descontinuidade na superfície ou próxima à superfície da amostra perturba as linhas de fluxo magnético e resulta em um campo de fuga local ao redor da descontinuidade. O campo de fuga de fluxo magnético pode ser detectado usando diversas técnicas. No ensaio por partículas magnéticas, o campo de fuga é visualizado pela pulverização da superfície do objeto ensaiado com partículas magnéticas revestidas com corante colorido ou fluorescente. A força exercida pelo campo de fuga magnético ao redor de uma trinca atrai as partículas, alinhando-as ao longo das trincas superficiais.
O campo de fuga de fluxo magnético também pode ser detectado usando sensores sem contato, como uma sonda de efeito Hall ou uma bobina de indução simples. Uma sonda de efeito Hall, utilizando um elemento orientado paralelamente à superfície da amostra, é sensível à componente normal do campo de fuga de fluxo magnético e gera um sinal típico, como mostrado na Figura 1 para um entalhe retangular. (R02)

sinal de campo de fuga
Figura 1. Sinal típico do campo de fuga. (R02)
 
Para compreender o funcionamento da fuga de fluxo magnético, é útil considerar a física dos ímãs permanentes. Um ímã permanente pode ser considerado uma aglomeração de domínios que podem ser vistos como micro ímãs elementares, obtidos devido ao fato de os momentos dipolares dos spins dos eletrons dos átomos não compensados ​​contidos no domínio serem mantidos paralelos. (R03) No estado desmagnetizado, os domínios se orientam aleatoriamente (Figura 2a), de modo que existam caminhos fechados para o fluxo magnético no material. A energia magnetostática, nessa condição, é mínima. Esse estado é indicado pelo ponto 0 na curva característica da densidade de fluxo magnético B em função da intensidade do campo magnético H (Figura 3). Quando um campo magnético externo é aplicado, os domínios tendem a se alinhar com a direção do campo aplicado, aumentando assim B. O ponto de operação agora se move para a região OA na Fig. 3. O tamanho e a orientação dos domínios são afetados pela energia potencial (1) resultante da interação entre átomos vizinhos, (2) associada à energia de anisotropia e (3) associada à energia do campo externo.

ab
cd
e
Legenda:
B = densidade de fluxo magnético (escala relativa)
H = intensidade do campo magnético (escala relativa)

Figura 2. Física dos ímãs permanentes:
(a) orientação aleatória dos domínios no estado não magnetizado;
(b) domínios alinhados na direção do campo aplicado;
(c) relaxamento do alinhamento paralelo dos domínios quando o campo magnético é removido;
(d) autodesmagnetização do material após a remoção do campo magnético;
(e) reversão dos domínios para orientação aleatória quando a lacuna (entreferro-peça) é removida.
Veja a Fig. 3 para a curva característica.

À medida que o campo magnético externo aumenta, o ponto de operação se move para a região AB da Fig. 3. As paredes de domínio começam a se deslocar e, por fim, atingem um estado em que cada cristal representa um único domínio. Aumentos adicionais na intensidade do campo magnético resultam em saturação magnética, um estado no qual os domínios giram contra as forças de anisotropia até que todos os domínios se alinhem na direção do campo aplicado (Fig. 2b). Este estado é representado pela região BC na curva de B versus H (Fig. 3).
curva de histerese
Legenda:
B = densidade de fluxo magnético (escala relativa);
H = intensidade do campo magnético (escala relativa).

Figura 3. Curva característica típica da densidade de fluxo magnético B versus intensidade do campo magnético H. 
(R03)

Se o campo magnético aplicado for então removido, os domínios relaxam. Como resultado, o alinhamento paralelo dos domínios é perturbado (Fig. 2c). O fluxo residual B, atinge uma nova energia mínima, no ponto D, onde a magnetização H = 0.
Se uma lacuna for introduzida, como mostrado na Fig. 2d, o material se desmagnetiza espontaneamente. O desequilíbrio criado pela lacuna resulta em um realinhamento dos domínios mais próximos a ela.
Esses domínios assumem orientações a 180 graus da orientação original. A energia mecânica injetada no sistema para introduzir as lacunas é usada para transferir o ponto de operação de D para E. Se a lacuna de ar for então reduzida a zero, como mostrado na Fig. 2e, o ponto de operação se move ao longo do laço de recuo menor para F e os domínios retornam quase à mesma orientação de antes. Se a lacuna for restaurada, o ponto de operação se move em direção ao ponto E ao longo do laço de recuo FGE. Ciclos repetidos de abertura e fechamento da lacuna fazem com que o laço de recuo menor seja traçado.
A presença de uma descontinuidade causa uma redução na área da seção transversal do objeto ensaiado, resultando em um aumento local na densidade do fluxo magnético.(R04)(R05) Uma redução na permeabilidade, juntamente com um aumento na densidade do fluxo magnético, faria com que o fluxo vazasse para o meio circundante. Os campos de fuga magnética podem ser subdivididos em campos de fuga ativos ou residuais. Para entender a origem dos campos de fuga e a escolha da magnetização inicial para a técnica de campo de fuga ativo, considere um tarugo de aço não magnetizado com uma descontinuidade superficial, como mostrado na Fig. 4a. Seja A a área da seção transversal do tarugo e seja a a área da seção transversal da descontinuidade. A área da seção transversal da porção íntegra do tarugo na vizinhança da descontinuidade é reduzida para (A — a) unidades (Fig. 4b).


tarugo
tarugo
BxH
campo de fuga

Figura 4. Tarugo com descontinuidade:
(a) Vista do tarugo;
(b) seção transversal através da descontinuidade;
(c) características magnéticas do material do tarugo;
(d) tarugo com campo magnético, mostrando o campo de fuga da descontinuidade. (R04)

O campo magnético H é uma grandeza vetorial porque possui magnitude e direção. Na curva característica das Figuras 2 e 3, para materiais isotrópicos, H é a componente de magnitude e, portanto, é uma grandeza escalar.
Então, coloque o tarugo em um campo magnético uniforme H e represente a densidade de fluxo induzido na porção íntegra do tarugo por B1 (weber por metro quadrado). Essa densidade de fluxo magnético corresponde a um ponto P à direita do μmax na curva de permeabilidade do material, como ilustrado na Figura 4c. O ponto correspondente na curva de magnetização inicial na Figura 4c é o ponto Q. A densidade de fluxo magnético que atravessa a parte íntegra do tarugo é B1 (tesla). Agora, se assumirmos que esse mesmo fluxo magnético deve passar pela área reduzida do tarugo na vizinhança da descontinuidade, então a densidade de fluxo presente nessa seção é maior que B1 é igual a B1A.(A-a)-1, ou seja, B2.
Esse aumento local da densidade de fluxo magnético resulta em uma mudança do ponto de operação na curva de magnetização de Q para Q' e uma correspondente diminuição da permeabilidade local de P para P'. No entanto, isso resulta em demandas conflitantes na vizinhança da descontinuidade. A densidade de fluxo magnético deve aumentar com a redução da área da seção transversal, mas essa mudança leva a permeabilidade na região restrita do tarugo a um valor menor do que o presente nas regiões íntegras. Consequentemente, parte do fluxo escapa para o meio circundante próximo à descontinuidade e é chamado de campo de fuga (Fig. 4d). A detecção desse campo de fuga é a base do ensaio de fuga de fluxo magnético. 


2.1 DESCONTINUIDADES SUBSUPERFICIAIS
Se uma descontinuidade estiver mais abaixo da superfície, a dificuldade de detectar esses campos de fuga magnética é muito maior. A razão para essa dificuldade é que o material circundante tende a suavizar a distorção do campo devido à descontinuidade subsuperficial, resultando assim em uma pequena perturbação do campo na superfície do tarugo. (R04) Como a maioria dos detectores usados ​​para monitorar os campos de fuga magnética depende de uma mudança abrupta no gradiente do campo para registrar a presença do campo, é naturalmente difícil detectar a localização de descontinuidades subsuperficiais, como ilustrado na Figura 5.










desc e campo fuga
Figura 5. Tarugo com descontinuidade subsuperficial, mostrando o campo de fuga resultante. (R04)


2.2 GRAU DE MAGNETIZAÇÃO SUPERFICIAL
O ponto de operação inicial na característica de permeabilidade do material é muito importante. (R04) Por exemplo, se esse ponto estiver à esquerda de μmax, como ilustrado pelo ponto T na Fig. 4c, um aumento na densidade de fluxo magnético com uma redução de área devido a uma descontinuidade levaria a uma permeabilidade local maior do que a permeabilidade de um material livre de descontinuidades. Assim, existe a possibilidade de a descontinuidade passar despercebida nessas circunstâncias.
Além disso, se a magnetização inicial do material localizar o ponto de operação próximo à saturação, a diferença entre a densidade de fluxo magnético no material e o campo magnético de dispersão no meio circundante diminui com o aumento da área da seção transversal da descontinuidade. Portanto, o problema da detecção quantitativa das descontinuidades é ampliado, pois torna-se cada vez mais difícil discriminar a severidade das várias heterogeneidades.
Além disso, como o grau de magnetização é muito elevado, a rugosidade da superfície é facilmente confundida com descontinuidades reais, resultando na rejeição injustificada de objetos ensaiados.
Portanto, existe um limite superior e inferior de magnetização ao qual um objeto ensaiado deve ser submetido para que a técnica de campo de fuga magnética em ensaios não destrutivos seja mais eficaz. A magnetização do objeto ensaiado situa-se na parte linear da curva de magnetização, de forma que a permeabilidade do material seja máxima. A magnetização não deve se aproximar da saturação, mas sim apresentar um valor de densidade de fluxo que localize o ponto de operação inicial do material na parte mais íngreme da curva de indução inicial.
Se o grau de magnetização for muito baixo, as descontinuidades podem passar despercebidas e, se o nível de magnetização for muito alto, a falta de discriminação de descontinuidades pode resultar em indicações falsas.


3. ENSAIO DE CORRENTES PARASITAS
As técnicas de ensaio não destrutivo por correntes parasitas baseiam-se nos princípios da indução magnética para analisar os materiais ensaiados. Uma compreensão completa do processo físico subjacente só pode ser obtida através das equações de Maxwell. No entanto, a base física da técnica também pode ser compreendida qualitativamente. O ensaio por correntes parasitas baseia-se no fato de que, quando uma bobina excitada por uma corrente alternada é aproximada de um material, a impedância final da bobina se altera. (R06)
Essa alteração está associada ao fato de que o campo primário gerado pela bobina de correntes parasitas induz correntes parasitas na amostra condutora.
De acordo com a lei de Lenz, a direção das correntes parasitas induzidas e, consequentemente, o campo secundário gerado por essas correntes, opõem-se alterando o campo primário (Fig. 6). (R07) (R08) Se o objeto ensaido for não ferromagnético, a fuga de fluxo magnético associada à bobina diminui devido à natureza oposta dos campos primário e secundário. Como a autoindutância da bobina é definida como o fluxo magnético por ampère, a indutância da bobina diminui.

principio EC
Figura 6. Bobina com corrente alternada sobre um objeto condutor, mostrando a direção oposta das correntes primária e induzida. (R07)

A diminuição da indutância é acompanhada por um aumento na resistência, devido ao fato de que as perdas por correntes parasitas incorridas na amostra precisam ser compensadas pela fonte de excitação primária. Essa perda se manifesta como uma mudança na resistência da bobina.
A presença de uma descontinuidade ou heterogeneidade no objeto ensaiado causa uma redução, bem como uma redistribuição das correntes parasitas. Consequentemente, as mudanças na indutância e na resistência da bobina de excitação são correspondentemente menores. A Figura 7a mostra como a impedância de uma bobina muda ao se aproximar de amostras condutoras não ferromagnéticas com e sem descontinuidades. Deve-se notar que a Figura 7 exagera bastante essas mudanças.(R07) (R08)
O processo subjacente é mais complexo quando o objeto ensaiado é ferromagnético. Contrabalançando a diminuição da indutância (devido à influência das correntes parasitas induzidas no objeto ensaiado) ocorre um aumento na indutância atribuível à maior permeabilidade do material. Este último efeito geralmente predomina, de modo que a indutância da bobina aumenta quando a bobina entra em contato com uma amostra ferromagnética (Fig. 7b). A variação na indutância também é acompanhada por um aumento na resistência atribuível às perdas por correntes parasitas e histerese.(R07) (R09)













dois materiais não magnéticos no plano de impedânciasdois materiais ferromagneticos no plano de impedâncias
Legenda:
1. Bobina no ar.
2. Bobina sobre a amostra com descontinuidade.
3. Bobina sobre a amostra sem descontinuidade.

Figura 7. Trajetórias do plano de impedância da bobina sobre as amostras:
(a) sobre a amostra não ferromagnética;
(b) sobre a amostra ferromagnética.
As alterações estão exageradas para maior clareza. (R07) (R08)

As variações na impedância da bobina causadas por descontinuidades no objeto ensaiado são frequentemente muito pequenas em comparação com o valor de repouso (não afetado) da impedância da bobina. A detecção e a medição dessas pequenas variações são frequentemente realizadas usando circuitos de ponte.
Nesse sentido, existe uma distinção útil entre dois tipos de bobinas de ensaio: (1) bobinas absolutas e (2) bobinas diferenciais. Uma bobina absoluta responde às propriedades eletromagnéticas do objeto ensaiado no campo magnético da bobina sem comparação com a resposta de uma segunda bobina. Bobinas diferenciais são duas ou mais bobinas conectadas de forma que as diferenças eletromagnéticas nas regiões abaixo das bobinas causem um desequilíbrio entre elas, que será sinalizado.
Um problema da sonda de correntes parasitas absolutas é a dificuldade de detectar pequenas variações de impedância, que se sobreponham ao valor no ar. Além disso, alterações nos parâmetros da bobina devido a fatores ambientais e ao afastamento da bobina podem frequentemente mascarar alterações devido a descontinuidades, dificultando muito a interpretação do sinal.
Uma alternativa à sonda de correntes parasitas absoluta é a sonda de correntes parasitas diferencial. A Figura 8 mostra uma sonda de correntes parasitas diferencial projetada para ensaiar tubos. (R09) A sonda consiste em duas bobinas idênticas montadas no mesmo eixo do tubo, mas espaçadas por uma pequena distância. As duas bobinas formam dois braços de um circuito em ponte, como ilustrado na Figura 9. (R09) O sinal de desequilíbrio da ponte é a diferença de tensão na impedância das duas bobinas. Quando a sonda é movida sobre uma descontinuidade, a variação na impedância da primeira bobina ao varrer a descontinuidade resulta em uma tensão de desequilíbrio. A impedância diferencial traça uma trajetória 0A0 no plano de impedância mostrado na Figura 10. (R08) Da mesma forma, quando a segunda bobina varre a descontinuidade, a impedância diferencial traça a trajetória 0B0 na direção oposta. O formato da trajetória no plano de impedância é uma função da natureza da descontinuidade. Essa informação é usada para inverter o sinal medido pela sonda de correntes parasitas, a fim de determinar o formato e o tamanho da descontinuidade.

sonda diferencial interna em tubo
Figura 8. Sonda de correntes parasitas diferencial para inspeção de tubos pelo seu interior. (R07)
circuito elétrico ponte de wheatstone

Figura 9. Ponte de corrente alternada para medir mudanças na impedância.

sonda diferencial e entalhe interno tubo
sinal entalhe interno tuvo com sonda diferencial

Legenda:
R = resistência (escala relativa)
X = reatância (escala relativa)

Figura 10. Entalhe estreito axissimétrico no diâmetro externo  do tubo e com largura/abertura menor que o espaçamento da bobina diferencial:
(a) diagrama;
(b) trajetória do plano de impedância obtida para o entalhe. (R07)


3.1 CONDUTIVIDADE ELÉTRICA E RESISTIVIDADE
Nos ensaios de correntes parasitas, em vez de descrever a condutividade em termos absolutos, uma unidade arbitrária tem sido amplamente adotada. Como as condutividades relativas de metais e ligas variam em uma ampla faixa, um valor de referência para a condutividade tem sido amplamente utilizado. Em 1913, a Comissão Eletroquímica Internacional estabeleceu que um grau específico de cobre de alta pureza, totalmente recozido — medindo 1 m de comprimento, com uma seção transversal uniforme de 1 mm2 e uma resistência de 17,241 mΩ a 20 °C — seria arbitrariamente considerado 100% condutivo (100% IACS). O símbolo para condutividade é σ e a unidade é siemens por metro. A condutividade também é frequentemente expressa como uma porcentagem do Padrão Internacional de Cobre Recozido ("IACS-International Annealed Copper Standard"). (R10)
A Tabela 1 lista a condutividade σ e a resistividade ρ de materiais selecionados. Observe que condutância e resistência são inversamente proporcionais: um bom condutor é um mau resistor. A resistividade ρ é expressa em termos absolutos de ohm-metro ou microohm-centímetro. Para converter, basta seguir a Equação 1:

condutividade para resistividade

Tabela 1. Resistividade e Condutividade Elétrica de alguns metais e ligas metálicas.(R11)
Tabela condutividade

A impedância da sonda de ensaio varia com a condutividade de um material próximo. A Figura 11 mostra como a magnitude/amplitude da impedância diminui com o aumento da condutividade.

locus de condutividade
Figura 11. Lugar geométrico da condutividade medida, com a condutividade expressa em siemens por metro (percentagens do Padrão Internacional de Cobre Recozido). (R06) (R10) (R12)

A reatância indutiva da bobina é representada no eixo Y; a resistência da bobina é representada no eixo X. O ponto de condutividade de 0%, ou ponto de ar, é quando a reatância da bobina vazia é máxima.
A condutividade é influenciada por muitos fatores. A Figura 11 representa um lugar geométrico da condutividade medida. A Tabela 1 lista as condutividades de materiais com diferentes composições químicas. (R11) (R13)



3.2 IMPEDÂNCIA
The vector sum of the reactive and resistive components is impedance. Impedance is a quantity with magnitude and direction directly proportional to frequency. To construct a universal impedance diagram valid for all frequencies, the impedance must be normalized.(R06)  Figure 12 shows a typical normalized impedance diagram.(R06)
A soma vetorial dos componentes reativos e resistivos é a impedância. A impedância é uma grandeza cuja magnitude e direção são diretamente proporcionais à frequência. Para construir um diagrama de impedância universal válido para todas as frequências, a impedância deve ser normalizada. (R06)   A Figura 12 mostra um diagrama de impedância normalizado típico. (R06)


impedância primaria com circuito secundário
Figura 12: Efeito da mudança de frequência
(a) impedância primária sem circuito secundário;
(b) impedância primária com circuito secundário.

A impedância primária Zp é afetada por mudanças na frequência (ω = 2πf). A Figura 12a representa a impedância primária sem um circuito secundário ou objeto ensaiado.
A Figura 12b ilustra o efeito da frequência na impedância primária com um circuito secundário ou objeto ensaiado presente. A resistência primária R1 mostrada na Figura 12a, foi omitida da Figura 12b porque a resistência tem um efeito relativamente pequeno na frequência. O termo ωLsG na Fig. 12b representa uma grandeza de referência para a impedância secundária, onde G é a condutância secundária (siemens) e Ls é a reatância secundária (ohm).
Uma normalização adicional é realizada dividindo-se os componentes reativos e resistivos pela reatância indutiva primária ωLo, sem a presença de um circuito secundário. Na Fig. 13, os termos ωL.(ωLo)-1 e R.(ωLo)-1 representam a impedância relativa da bobina ensaiado, influenciada pelo objeto ensaiado.

diagrama de impedâncias normalizado
Figura 13. Diagrama de impedância normalizada para uma bobina longa envolvendo uma barra cilíndrica sólida não ferromagnética e para um tubo de parede fina. Fator de enchimento da bobina = 1,0. (R12) (R13)


4. ENSAIO DE MICROONDAS

4.1 RADIAÇÂO DE MICROONDAS (R14)
O termo micro-ondas é usado para designar todas as ondas de radiação eletromagnética cujas frequências se situam entre 0,3 e 300 GHz. Essas frequências correspondem a uma faixa de comprimentos de onda no vácuo, de cerca de 1 m (39 pol.) a 1 mm (0,04 pol.). No vácuo ou no ar, as micro-ondas viajam à velocidade da luz, cerca de 2,998 x 10⁸ m/s (671 milhões de mi/h).
Como visto na Figura 14, as micro-ondas ocupam a porção do espectro eletromagnético entre as ondas de rádio e a radiação infravermelha. (R14) (R15) As micro-ondas são comuns no dia a dia. O público se familiarizou com elas inicialmente como a forma de energia usada para radares. Os fornos de micro-ondas são comumente usados ​​tanto para cozinhar quanto para secar alimentos. Circuitos de telefonia e comunicação utilizam estações retransmissoras de micro-ondas para transmitir sinais a distâncias de muitos quilômetros. Sinais de televisão são frequentemente transmitidos por meio de micro-ondas e são enviados e recebidos por antenas parabólicas, que são utilizadas em tamanhos maiores para comunicações espaciais e radioastronomia. O direcionamento, rastreamento e controle de espaçonaves são possibilitados por micro-ondas. As micro-ondas também são utilizadas para ensaios não destrutivos e espectroscopia.


faixa de radiação
Figura 14. Comprimentos de onda e frequências do espectro eletromagnético. As micro-ondas estão entre as ondas infravermelhas e as ondas de rádio. (R14)


4.2 APROXIMAÇÃO EXPERIMENTAL BÁSICA
As micro-ondas propagam-se facilmente através da maioria dos materiais não metálicos. Em contraste, as micro-ondas refletem-se quase completamente nas superfícies metálicas, penetrando apenas distâncias microscópicas abaixo da superfície.
A Figura 15 ilustra uma configuração experimental típica para a técnica de transmissão de micro-ondas. (R16) A ideia básica é que um objeto de teste não metálico (dielétrico) é irradiado por energia de micro-ondas proveniente de uma antena transmissora; o sinal então viaja através da amostra e é recebido por uma antena receptora. A diferença de fase entre os sinais incidente e recebido está diretamente relacionada à espessura da placa e à sua permissividade relativa εr, que em geral é um parâmetro complexo:

Eq2

15
Figura 15. Aparato de medição para a técnica de transmissão de micro-ondas. (R15)

A permissividade dielétrica relativa εr" está relacionada à atenuação sofrida pelo sinal ao viajar através da placa. (A permissividade absoluta é medida em farads por metro; a permissividade relativa é uma razão adimensional.)
Um oscilador de varredura de micro-ondas é usado para gerar um sinal de frequência varrida, que passa por um isolador e é então dividido em um sinal de ensaio e um sinal de referência. O sinal de referência torna-se o sinal de entrada para o canal de referência de um analisador de redes de micro-ondas. O sinal de ensaio passa por outro isolador, que impede que reflexões corrompam o sinal de referência. Após passar por um frequencímetro, o sinal irradia a amostra ensaiado através de uma pequena antena transmissora tipo corneta. O sinal que se propaga através da amostra é então captado por uma pequena antena receptora tipo corneta e, subsequentemente, direcionado para o canal de ensaio do analisador de redes. O analisador de redes compara a amplitude e a fase do sinal de ensaio com as do sinal de referência.
Um material dielétrico sem perdas (εr" = 0) possui uma permissividade relativa εr que é real e maior que 1. O comprimento de onda λ (metro) e a constante de fase β (radianos por metro) para uma onda eletromagnética que se propaga em tal dielétrico são:

 Eq3
e:
Eq4
onde:
Eq5

onde c é a velocidade da luz (aproximadamente 2,998 x 10⁸ m/s) e f é a frequência (hertz). É evidente que o comprimento de onda λ em um material dielétrico é menor que o comprimento de onda λo no vácuo. Portanto, uma placa dielétrica possui um comprimento elétrico maior que uma coluna de ar de espessura igual. O comprimento elétrico é definido como o número de comprimentos de onda entre dois pontos. Essa redução no comprimento de onda causa uma maior defasagem por unidade de comprimento para uma onda que se propaga no dielétrico, o que é usado para determinar tanto a permissividade relativa quanto a espessura das placas dielétricas.
A Figura 16 mostra as vistas em corte lateral e axial de uma abertura coaxial de extremidade aberta para a técnica de reflexão de micro-ondas. Esta técnica é utilizada para avaliação de trincas superficiais em metais.

parafuso inspecionadocom microondas
idem a
Figura 16. Abertura coaxial aberta para técnica de reflexão de micro-ondas para avaliação de trincas superficiais em metais: (a) vista lateral; (b) vista axial. (R16)

O modo de operação dominante para linhas coaxiais é o modo eletromagnético transversal. O termo transversal refere-se ao fato de que as direções das linhas elétricas (radiais) e das linhas do campo magnético (concêntricas) são ortogonais entre si e ambas são ortogonais à direção de propagação da energia (ao longo da linha coaxial), como mostrado na Figura 17.

a
Figura 17. Distribuições de campo e geometria relativa da trinca na abertura da sonda coaxial, ilustrando o arranjo do modo eletromagnético transversal. (R16)

Quando uma linha coaxial é cortada em uma extremidade e terminada por uma placa metálica, diz-se que ela está em curto-circuito. Como resultado, o campo elétrico na placa (o curto-circuito) é totalmente refletido com uma defasagem de 180 graus. Quando uma trinca é introduzida no metal Na placa, quase todo o sinal incidente é refletido. No entanto, a fase do sinal refletido depende da frequência de operação, das dimensões da abertura coaxial, das dimensões da trinca e de sua localização na abertura coaxial. O comprimento da trinca exposta à abertura de sondagem varia em função da distância de varredura, como pode ser visto na Figura 17.
Pode-se usar um analisador de redes vetorial e medir a variação na magnitude/intensidade e na fase do coeficiente de reflexão. Entretanto, um refletômetro ou detector de fase relativamente pequeno, simples e barato pode ser projetado e construído usando componentes discretos de micro-ondas. Dessa forma, uma tensão de corrente contínua proporcional à magnitude ou à fase do coeficiente de reflexão pode ser medida e registrada para indicar a presença e as propriedades de uma trinca


Autores:
  • Lalita Udpa, Michigan State University, East Lansing, Michigan
  • Satish S. Upda Michigan State University East Lansing, Michigan







Referências
  1. Nondestructive Testing Handbook, second edition: Vol. 6, Magnetic Particle Testing. Columbus, OH: American Society for Nondestructive Testing (1989).
  2. Udpa, L. Imaging of Electromagnetic NDE Phenomena. Ph.D. dissertation. Fort Collins, CO: Colorado State University (1986).
  3. Udpa, S.S. Finite Element Modeling of Residual Magnetic Phenomenon. M.S. thesis. Fort Collins, CO: Colorado State University (1981).
  4. Lord, W. and DJ. Oswald. “Leakage Field Methods of Defect Detection.” International Journal of NDT. Vol. 4. Kidlington, United Kingdom: Elsevier Science Limited (1972): p 249-274.
  5. Forster, F. “On the Way from the ‘Know-How’ to the ‘Know-Why’ in the Magnetic Leakage Field Method of Nondestructive Testing (Part One).” Materials Evaluation. Vol. 43, No. 9. Columbus, OH: American Society for Nondestructive Testing (September 1985): p 1154-1162.
  6. Libby, H.L. Introduction to Electromagnetic Nondestructive Test Methods. New York, NY: John Wiley and Sons (1971). 7.
  7. McMaster, R.C. and S.S. Udpa. Section 2, “Basic Concepts and Theory of Eddy Current Testing.” Nondestructive Testing Handbook, second edition: Vol. 4, Electromagnetic Testing. Columbus, OH: American Society for Nondestructive Testing (1986): p 25-51.
  8. Udpa, S.S. and L. Udpa. “Eddy Current Nondestructive Evaluation.” Wiley Encyclopedia ofElectrical and Electronics Engineering. New York, NY: John Wiley and Sons (1999): p 149-163.
  9. Satish, $.R. Parametric Signal Processing for Eddy Current NDT. Ph.D. dissertation. Fort Collins, CO: Colorado State University (1983).
  10. IEC 60028, International Standard of Resistance for Copper. Geneva, Switzerland: International Electrotechnical Commission (2001).
  11. Electrical Conductivity of Materials — Report ECT R8418-R1. Virginia Beach, VA: Eddy Current Technology (2003).
  12. ASNT Level III Study Guide: Eddy Current Testing Method. Columbus, OH: American Society for Nondestructive Testing (1983).
  13. “Eddy-Current Inspection.” ASM Handbook, ninth edition: Vol. 17, Nondestructive Inspection and Quality Control. Materials Park, OH: ASM International (1992): p 164-194.
  14. Botsco, RJ. and R.C. McMaster. Section 16, “Microwave Theory.” Nondestructive Testing Handbook, second edition: Vol. 4, Electromagnetic Testing. Columbus, OH: American Society for Nondestructive Testing (1986): p 461-488.
  15. Wang, Y. and R. Zoughi. “Interaction of Surface Cracks in Metals with Open Ended Coaxial Probes at Microwave Frequencies.” Materials Evaluation. Vol. 58, No. 10. Columbus, OH: American Society for Nondestructive Testing (October 2000): p 1228-1234.
  16. Zoughi, R. and M. Lujan. “Nondestructive Microwave Thickness Measurements of Dielectric Slabs.” Materials Evaluation. Vol. 48, No. 9. Columbus, OH: American Society for Nondestructive Testing (September 1990): p 1100-1105.
  17. Zoughi, R. Microwave Non-Destructive Testing and Evaluation. Boston, MA: Kluwer Academic Publishers (2000).

    Bibliografia
    • Blitz, J. Electrical and Magnetic Methods of Nondestructive Testing, second edition. London, United Kingdom: Chapman and Hall (1997).
    • Cecco, V.S., G. Van Drunen and EL. Sharp. Eddy Current Testing, U.S. edition. Columbia, MD: GP Courseware (1987).
    • Davis, J.M. and M. King. Mathematic Formulas and References for Nondestructive Testing — Eddy Current. Las Vegas, NV: Art Room Corporation (2001).
    • Hagemaier, D.J. Fundamentals of Eddy Current Testing. Columbus, OH: American Society for Nondestructive Testing (1990).
    • Harvey, E.D. Eddy Current Testing Theory and Practice. Columbus, OH: American Society for Nondestructive Testing (1995).
    • Lord, W., ed. Electromagnetic Methods of Nondestructive Testing. New York, NY: Gordon and Breach Science Publishers (1985)


    antes
    depois