Non Destructive Method Theory - Basic Principles - https://www.tinker.af.mil/Portals/106/Documents/Technical%20Orders/AFD-101516-33B-1-1.pdf AF338-1-1-EC-CP4Sc0-Indice ROCarneval

NONDESTRUCTIVE TESTING HANDBOOK - Electromagnetic Testing
Manual de Ensaio Não Destrutivo - Ensaio Eletromagnético

  1. Revisão Histórica
  2. Geração das Correntes Parasitas
  3. Intensidade do Campo Magnético
  4. Densidade da Corrente
  5. Relações Fase/Amplitude e Corrente/Relações Temporais
  6. Teste de Revisão


1 REVISÃO HISTÓRICA

Antes de discutir os princípios dos ensaios eletromagnéticos, parece apropriado abordar brevemente as facetas do magnetismo e do eletromagnetismo que servem de base para este estudo.
No período de 1775 a 1900, os cientistas André-Marie Ampère, François Arago, Charles Augustin Coulomb, Michael Faraday, Lord William Thomson Kelvin, James Clerk Maxwell e Hans Christian Oersted investigaram e catalogaram a maior parte do conhecimento atual sobre magnetismo e eletromagnetismo.
Arago descobriu que a oscilação de um ímã era rapidamente amortecida quando um disco condutor não magnético era colocado próximo a ele. Ele também observou que, ao girar o disco, o ímã era atraído por ele. Na prática, Arago havia introduzido um campo magnético variável no disco metálico, causando a formação de correntes parasitas. Isso produzia um campo magnético secundário no disco que afetava o ímã. O modelo simples de Arago é a base de muitos velocímetros de automóveis usados ​​atualmente. Este experimento pode ser modelado como mostrado na Figura 1.

Experiencia de Arago
Figura 1: Experiência de Arago (1821).

Oersted descobriu a presença de um campo magnético ao redor de um condutor percorrido por corrente elétrica e observou um campo magnético desenvolvido em um plano perpendicular à direção do fluxo de corrente em um fio. Ampère observou que correntes iguais e opostas fluindo em condutores adjacentes cancelavam esse efeito magnético. A observação de Ampère é usada em aplicações de bobinas diferenciais e para fabricar resistores de precisão não indutivos.
Os primeiros experimentos de Faraday investigaram correntes induzidas pelo movimento relativo de um ímã e uma bobina (Figura 2). A principal contribuição de Faraday foi a descoberta da indução eletromagnética. Seu trabalho pode ser resumido pelo exemplo mostrado na Figura 3. Uma bobina, A, está conectada a uma bateria através de uma chave S; uma segunda bobina, B, conectada a um voltímetro, V, está próxima. Quando a chave S é fechada, ela produz uma corrente na bobina A na direção mostrada (a). Uma corrente momentânea também é induzida na bobina B em uma direção (b) oposta ao fluxo de corrente na bobina A. Se S for agora aberto, uma corrente momentânea aparecerá na bobina B tendo a direção de (c). Em cada caso, a corrente flui na bobina B apenas enquanto a corrente na bobina A está mudando. 'A força eletromotriz (tensão) induzida na bobina B da Figura 3 pode ser expressa da seguinte forma:

(Eq.1) FEM induzida

onde:
E = voltagem média induzida
N = número de espiras da bobina B
ΔΦ/Δt = taxa de mudança das linhas magnéticas de força afetando a bobina B
K = 108


corrente induzida por bobina e imã
Figura 2. Corrente Induzida com Imã Permanente e Bobina.

metodo eletromagnético de induzir corrente
Figura 3. Método Eletromagnético de Induzir Corrente.

Maxwell produziu uma obra em dois volumes, Um Tratado sobre Eletricidade e Magnetismo, publicada pela primeira vez em 1873. Maxwell não apenas registrou a maior parte do trabalho realizado em eletricidade e magnetismo naquela época, mas também desenvolveu e publicou um conjunto de relações conhecido como as equações de Maxwell para o campo eletromagnético. Essas equações formam a base que descreve matematicamente a maior parte do que se sabe sobre eletromagnetismo hoje. Em 1849, Lord Kelvin aplicou a equação de Bessel para resolver os elementos de um campo eletromagnético. Os princípios dos testes eletromagnéticos dependem do processo de indução eletromagnética. Esse processo inclui uma bobina de teste através da qual passa uma corrente variável ou alternada. Uma corrente variável que flui em uma bobina de teste produz um campo eletromagnético variável ao redor da bobina. Esse campo é conhecido como campo primário.


2 GERAÇÃO DAS CORRENTES PARASITAS
Quando um objeto ensaiado eletricamente condutor é colocado no campo primário, uma corrente elétrica é induzida nesse objeto. Essa corrente é conhecida como corrente parasita. A Figura 4 é um modelo simples que ilustra as relações entre os eventos eletromagnéticos primários e secundários. O condutor A representa uma porção de uma bobina de ensaio. O condutor B representa uma porção de um objeto ensaiado.
Seguindo a lei de Lenz e indicando a direção instantânea da corrente primária (Ip), um campo primário (Φp) é desenvolvido ao redor do condutor A. Quando o condutor B é colocado sob a influência de Iρ, uma corrente de Foucault (IE) é induzida no condutor B. Essa corrente (IE) produz um campo eletromagnético secundário (ΦE) que se opõe ao campo eletromagnético primário (Φρ). A magnitude de ΦE é diretamente proporcional à magnitude de IE.
Alterações nas características do condutor B, como condutividade, permeabilidade ou geometria, farão com que IE varie. Quando IE varia, ΦE também varia. Variações de
IE são refletidas no condutor A por meio de mudanças em Φp. Essas mudanças são detectadas e exibidas em algum tipo de mecanismo de leitura que relaciona essas variações à característica de interesse.

cabos paralelos
Figura 4: Relações da corrente induzida.


3. INTENSIDADE DO CAMPO

O campo eletromagnético produzido em torno de uma bobina de ensaio sem carga pode ser descrito como tendo intensidade decrescente com a distância da bobina e também variando ao longo da seção transversal da bobina. O campo é mais intenso próximo à superfície da bobina.
O campo produzido em torno desta bobina é diretamente proporcional à magnitude da corrente aplicada, à taxa de variação da corrente ou frequência e aos parâmetros da bobina. Os parâmetros da bobina incluem indutância, diâmetro, comprimento, espessura, número de espiras do fio e material do núcleo.
Para melhor compreender os princípios em discussão, é importante observar novamente as relações instantâneas entre corrente e fluxo magnético. A corrente de excitação é fornecida à bobina por um gerador ou oscilador de corrente alternada.
Com uma corrente primária Ip fluindo através da bobina, um campo eletromagnético primário
Φp é produzido em torno da bobina. Quando esta bobina de ensaio excitada é colocada sobre um objeto ensaiado eletricamente condutor, correntes parasitas IE serão geradas nesse objeto ensaiado. A Figura 5 ilustra este conceito.

geração das correntes parasitas no objeto ensaiado
Figura 5: Geração das correntes parasitas em um objeto ensaiado.

Observe a direção da corrente primária (Ip) e a corrente parasita resultante (
IE). A corrente parasita Ip estende-se por uma certa distância para dentro do objeto ensaiado. Outra observação importante é que IE é gerado no mesmo plano em que a bobina é enrolada. A Figura 6 enfatiza esse ponto com uma bobina em forma de laço envolvendo um objeto de teste cilíndrico.

fluxo de corrente induzida num objeto cilíndrico
Figura 6: Fluxo de corrent einduzida em uma peça cilíndrica.

Um método mais preciso para descrever as relações entre fluxo magnético, tensão e corrente é o diagrama vetorial de fase ou diagrama fasorial. A Figura 7 compara os eventos eletromagnéticos associados a uma bobina de ensaio sem carga e o que acontece quando essa mesma bobina é colocada em um objeto de ensaio não ferromagnético. Os componentes dos diagramas fasoriais são os seguintes:

Diagraa de fase e voltagem na bobina sem objeto ensaiado

Figura 7(a): Diagrma de fase e voltagem na bobina (a) sem objeto ensaiado.
Ep = voltagem primária na bobina
I= corrente de excitação
ΦP = fluxo magnético primário
ΦS = fluxo magnético secundário

diagrama de dase e voltagem da bobina com objeto ensaiado
Figura 7(b): Diagrma de fase e voltagem na bobina (a) com objeto ensaiado.
Ep = voltagem primária na bobina
I= corrente de excitação
ΦP = fluxo magnético primário
ES = voltagem secundária na bobina
ΦS = fluxo magnético secundário
ET = voltagem total na bobina
ΦT = fluxo magnético total

Na Figura 7(a), a corrente (I) e o fluxo magnético primário (
ΦP) são plotados em fase. A tensão primária (Ep) é mostrada separada por 90 graus elétricos. O fluxo magnético secundário ((ΦS) é representado em zero porque, sem um objeto de ensaio, não existe fluxo secundário.
A Figura 7(b) representa a ação de colocar a bobina sobre um objeto de ensaio não ferromagnético.
Observando a Figura 7(b), pode-se ver, pela adição vetorial de
Ep e ES que uma nova tensão na bobina (ET) é obtida para a condição carregada. O fluxo magnético primário  ΦP e o fluxo magnético secundário  ΦS também são combinados por adição vetorial para se obter um novo fluxo magnético (ΦT) para a bobina carregada. Observe que, para a condição do objeto de teste na bobina de ensaio, ΦT não está mais em fase com a corrente de excitação I. Observe também que o ângulo formado entre a corrente de excitação e a nova tensão da bobina  ET não é mais de 90 graus elétricos. Essas interações serão discutidas em detalhes posteriormente neste guia de estudo.


4. DENSIDADE DE CORRENTE
A distribuição de correntes parasitas em um objeto ensaiado varia exponencialmente. A densidade de corrente no objeto ensaiado é maior perto da bobina de teste. Essa densidade de corrente exponencial segue as regras matemáticas de uma curva de decaimento exponencial natural (1/ε), onde ε (epsilon) é 2,718. Normalmente, uma curva exponencial natural é ilustrada por um gráfico com a ordenada (eixo Y) representando a intensidade (magnitude) e a abscissa (eixo X) representando o tempo ou a distância.
Um ponto comum descrito em tal gráfico é o "joelho" da curva. O joelho ocorre no valor de 37% no eixo da ordenada. Esse ponto de 37% é escolhido porque as mudanças nos valores do eixo X produzem mudanças significativas nos valores do eixo Y de 100% a 37% e, abaixo de 37%, as mudanças nos valores do eixo X produzem mudanças menos significativas nos valores do eixo Y.
Aplicando essa lógica aos ensaios eletromagnéticos, um termo é desenvolvido para descrever a distribuição de corrente no objeto ensaiado. A corrente de Foucault gerada na superfície do objeto de ensaio mais próxima da bobina de teste é de 100%. O ponto na espessura do objeto ensaido onde essa corrente é reduzida para 37% de sua intensidade anterior é conhecido como profundidade padrão de penetração. A letra grega δ (delta) é usada para representar esse ponto no material. A Figura 8 mostra uma curva de densidade de corrente de Foucault relativa para uma onda plana de extensão infinita com campo magnético paralelo à superfície condutora do objeto ensaiado.

densidade de corrente relativa
Figura 8: Densidade relativa da corrente parasita.

A densidade de corrente em qualquer profundidade pode ser calculada como:

(Eq. 2)equação 2

Onde:
Jx = densidade de corrente a profundidade x
Jo = densidade de corrente na superficie, A/m2
Π = 3,1416
f = frequência em hertz
μ = permeabilidade magnética absoluta, H/m
x = profundidade a partir da superfície, m
σ = condutividade elétrica, S/m
e = 2,718

A permeabilidade magnética  μ é uma combinação de termos. Para materiais não magnéticos:

(Eq. 3) 
μ = 4Π X 10-7 H/m

Para materiais magnéticos:
μ = μr X μo

Onde:
μr = permeabilidade relativa
μo = 4Π X 10-7 H/m

A profundidade padrão de penetração pode ser calculada como segue:

(Eq. 4)profundidade padrão de penetração

Onde:
δ = profundidade padrão de penetração, m
Π = 3,1416
f = frequência em hertz
μ = permeabilidade magnética absoluta, H/m
σ = condutividade elétrica, S/m

Deve-se observar neste ponto que, à medida que a frequência, a condutividade ou a permeabilidade aumentam, a penetração da corrente no objeto ensaiado diminui.
O gráfico da Figura 8 é usado para demonstrar muitas características das correntes de Foucault. Usando como exemplo um bloco muito espesso de aço inoxidável sendo inspecionado com uma bobina superfícial operando a uma frequência de ensaio de 100 kHz, a profundidade padrão de penetração pode ser determinada e as densidades de corrente observadas em outras profundidades.
O aço inoxidável (série 300) não é ferromagnético. A permeabilidade magnética é de 4 x 10⁻⁷ H/m e a condutividade é de 0,14 x 10⁻⁷ siemens (mhos) por metro para o aço inoxidável da série 300.

calculos

Usando 1,35 mm como profundidade x a partir da superfície, a relação profundidade/profundidade padrão de penetração seria 1. Consulte a Figura 8, uma relação profundidade/profundidade padrão de penetração de 1 indica uma densidade relativa de correntes parasitas de 0,37 ou 37%. Qual é a densidade relativa de correntes parasitas a 3 mm?
A profundidade x é igual a 3 mm e a profundidade de penetração é 1,35 mm; portanto:

3 + 1,35 = 2,222.

Essa relação indica uma densidade relativa de correntes parasitas de cerca de 0,1 ou 10%. Com apenas 10% da corrente disponível fluindo a uma profundidade de 3 mm, variáveis ​​como condutividade, permeabilidade e descontinuidades seriam muito difíceis de detectar. A solução óbvia para maior detectabilidade na profundidade de 3 mm é diminuir a frequência do ensaio. A seleção da frequência será abordada em detalhes posteriormente neste texto.


5. RELAÇÕES FASE/AMPLITUDE E TEMPO/CORRENTE
A Figura 9 revela outra faceta das correntes parasitas. As correntes parasitas não são geradas no mesmo instante em toda a peça. Elas precisam de tempo para penetrar na peça em teste. Fase e tempo são análogos, pois fase é um termo elétrico usado para descrever as relações temporais das formas de onda elétricas.

defasagem em radianos
Figura 9: Defasagem angular

A fase geralmente é expressa em graus ou radianos. Há 2Π radianos em 360°. Cada radiano, portanto, corresponde a cerca de 57°. Usando a corrente parasita superficial próxima à bobina de ensaio como referência, as correntes parasitas que ocorrem mais profundamente no objeto ensaiado ficam defasadas em relação à corrente superficial. A quantidade de defasagem de fase é determinada por:

(Eq. 5)formula da defasagem da corrente parasita

Onde:
Θ = defasagem ângular em radianos
X = profundidade de interesse abaxio da superfície do objeto ensaiado
Π = 3,1416
f = frequência em hertz
μ = permeabilidade magnética absoluta, H/m
σ = condutividade elétrica, S/m

A Figura 9 deve ser usada como um indicador relativo da defasagem, expressa como profundidade de interesse X dividida pela profundidade padrão de penetração. A relação de fase exata para um sistema específico pode ser diferente devido a outras variáveis, como parâmetros da bobina e métodos de excitação.
A quantidade de defasagem para uma determinada espessura da peça é um fator importante ao se considerar a resolução. Resolução é a capacidade de separar variáveis ​​que ocorrem no objeto ensaiado; por exemplo, distinguir duas descontinuidades que ocorrem em diferentes profundidades no mesmo objeto ensaiado.
Como exemplo, usando uma profundidade de penetração padrão de 1 mm em um objeto ensaiado com 5 mm de espessura, consulte a Figura 9 e observe a defasagem da corrente em uma profundidade de penetração padrão. Onde a profundidade de interesse X é 1 mm e a profundidade de penetração δ é 1 mm, a razão X/δ é 1 e a corrente na profundidade X atrasa a corrente da superfície em 1 radiano ou 57°.
Planejando este ensaio, observe a defasagem para toda a espessura da peça. A profundidade de penetração padrão é 1 mm e a espessura da peça é 5 mm; portanto, a razão X/
δ é igual a 5. Isso produz uma defasagem de 5 radianos ou cerca de 287° para a espessura da peça. Tendo uma capacidade de medição com incrementos de 1°, a espessura da peça poderia ser dividida em 287 partes, cada parte representando 0,017 mm. Isso seria considerado uma excelente resolução.
Existe uma limitação óbvia. Consulte a Figura 8 e observe a densidade de corrente relativa resultante com uma relação X/
δ igual a 5. A densidade de corrente relativa será próxima de 0.
Deve tornar-se aparente que a frequência pode ser ajustada para obter resultados ótimos para uma determinada variável. Essas e outras variáveis ​​serão discutidas no Capítulo 5 deste guia de estudo.
Em resumo, as correntes parasitas foram explicadas, assim como sua criação e propagação em materiais eletricamente condutores. Uma vez compreendida a aplicação prática desses princípios, os ensaios eletromagnéticos podem ser utilizados em uma ampla gama de aplicações de inspeção em materiais eletricamente condutores para:
  • medir o tamanho ou a forma das peças;
  • medir variações metalúrgicas ou na composição química (liga) dessas peças;
  • determinar se e como essas peças foram tratadas termicamente;
  • auxiliar na identificação de descontinuidades de fabricação que precisam ser corrigidas; e
  • determinar se existem descontinuidades induzidas pelo uso que podem limitar a utilização da peça.

6. TESTE DE REVISÃO



antes
depois